Vista de cima de mão de mulher sentada comendo um prato de salada. No chão de madeira, uma garrafa de água, corda de pular, uma fita métrica, e uma tábua com legumes e vegetais

Dra. Adriana Bonfioli

Atualmente, o câncer provoca uma em cada oito mortes no mundo, e estes números tendem a subir.

A doença pode atingir qualquer pessoa, porém, algumas têm um risco maior de desenvolverem a doença. Aproximadamente 30 a 50% dos casos de câncer poderiam ter sido prevenidos por meio de mudanças no estilo de vida e afastando fatores ambientais.

Nas últimas décadas, cientistas do mundo inteiro têm se dedicado a pesquisas sobre esse mal, tentando estabelecer as causas, fatores de risco e medidas de prevenção contra ele. Porém, as evidências são contraditórias e muitas vezes difíceis de serem interpretadas.

Com o objetivo de esclarecer a verdadeira relação entre a exposição aos fatores de risco e o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, o World Cancer Research Fund e o American Institute for Cancer Research se uniram, 25 anos atrás, em um projeto ambicioso.

Desde 1997, eles periodicamente publicam relatórios que analisam milhares de trabalhos científicos pelo mundo e descrevem as conclusões e recomendações dos especialistas.

O projeto, chamado de CUP (Continuous Update Project), propicia a integração entre cientistas de todo o mundo. Eles compartilham suas descobertas e estas são interpretadas por um painel de especialistas.

Juntos, esses cientistas dedicaram tempo e muito esforço para criar uma série de recomendações valiosas na prevenção do câncer e de outras doenças crônicas.

Esse artigo resume os principais pontos do Third Expert Report: (Diet, nutrition, Physical activity and Cancer: a global perspective). Vamos lá?

Visão geral: o papel da nutrição, atividade física e gordura corporal no risco de câncer

Segundo os especialistas, a nutrição, atividade física e obesidade são os principais fatores relacionados ao câncer.

Nutrição

A dieta contém substâncias não nutritivas que influenciam no metabolismo, como fitoquímicos, fibras e cafeína. Além disso, pode conter elementos nocivos como o arsênico, por exemplo.

Os vegetais e frutas contém diversos micronutrientes e fitoquímicos, alguns com efeito protetor contra o câncer. São eles:

  • Fibras dietéticas: alimentam a microbiota intestinal saudável, promovendo a produção de substâncias antiinflamatórias como o butirato, que previne o câncer de cólon.
  • Carotenóides: presentes nas frutas e vegetais amarelos, alaranjados e vermelhos, e nos ovos.
  • Ditioltiona e isotiocianato: presentes nos vegetais crucíferos como brócolis, couve e repolho.
  • Flavonóides: presentes no chá, café, mirtilo, maçã, cebola, azeite, chocolate, canela e vinho tinto.
  • Resveratrol: sementes e películas de uva, vinho tinto e pele do amendoim.

Além desses, as frutas e vegetais contêm vitamina C, E, selênio e folato. O consumo regular de todos esses elementos reduz o risco de câncer.

A carne vermelha cozida em altas temperaturas contém compostos cancerígenos. Além disso, o alto teor de sal dos processados danifica a mucosa do estômago e causa inflamação.

O consumo de álcool também aumenta o risco de câncer. Seu metabolismo forma compostos cancerígenos e radicais livres.

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Atividade física

Existem fortes evidências de que a prática regular de exercícios reduz o risco de câncer. Ela melhora o sistema imunológico, controla os níveis de insulina e reduz o dano oxidativo ao organismo.

Obesidade

A obesidade é um dos principais fatores de risco para o câncer, pois é promotora de inflamação e cria um ambiente favorável para a multiplicação das células e ocorrência de metástases.

Manter um peso saudável é uma das medidas mais eficazes na prevenção do câncer.

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