Estetoscópio com uma maça verde envolvendo um molde de madeira em formato de coração preenchido por alimentos saudáveis que ajudam a diminuir o colesterol

Dra. Adriana Bonfioli

Colesterol é um tipo de gordura essencial para várias funções do organismo. Ele é necessário em todas as membranas celulares e para produzir vários hormônios (sexuais, cortisol, vitamina D).

O conceito de que o colesterol “é mau” está equivocado.

Ele, na verdade, é muito bom e essencial para a vida!

Aproximadamente 75% do colesterol “adquirido” em um dia é produzido pelo próprio organismo e apenas 25% é proveniente da dieta. A maior parte do que ingerimos nos alimentos não é absorvido. Logo, a ingestão de gorduras tem pouco impacto sobre o colesterol circulando no corpo.

O fígado produz cerca de 20% do colesterol e o restante é sintetizado por todas as outras células do organismo.

A quantidade de colesterol no corpo depende do equilíbrio entre a sua produção e eliminação. Se o fígado não consegue eliminar o colesterol, ele se acumula no sangue e pode causar problemas.

A conseqüência mais temida do excesso de colesterol no sangue é a aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de gordura na parede das artérias. Essa doença vascular tem graves complicações, como infarto, acidente vascular cerebral e morte súbita.

Circulação do colesterol

O colesterol tem origem no fígado e no intestino, e é secretado no sangue dentro de veículos transportadores chamados lipoproteínas. Elas são estruturas esféricas que contém vários tipos de lipídeos (gorduras): colesterol, triglicérides e fosfolípides.

O fígado produz três tipos de lipoproteínas: VLDL, IDL e LDL:

  • VLDL (very low density lipoprotein, ou lipoproteína de densidade muito baixa);
  • IDL (intermediate density lipoprotein, ou lipoproteína de densidade intermediária);
  • LDL (low density lipoprotein, lipoproteína de baixa densidade ou colesterol ruim).

As lipoproteínas produzidas no intestino são chamadas quilomícrons. Elas são sintetizadas a partir do colesterol da dieta e também do reabsorvido a partir da bile. Os quilomícrons têm baixa densidade e são ainda maiores que o VLDL.

Sobre as lipoproteínas

A principal função das lipoproteínas produzidas no fígado, e dos quilomícrons, é levar os triglicérides até as células para que estas possam produzir energia. Se elas não precisarem de energia, os triglicérides serão armazenados nos adipócitos, células de gordura do corpo, para serem utilizadas quando necessário.

As lipoproteínas levam também os fosfolípides, compostos que fazem parte das membranas celulares.

Mas e o colesterol?

Na verdade, as células não precisam que o fígado envie colesterol, pois são capazes de produzi-lo. Muitas vezes, elas fabricam mais do que o necessário!

O colesterol em excesso dentro da célula pode se tornar tóxico. Para eliminá-lo, as células utilizam as lipoproteínas, principalmente o HDL.

O HDL (High density lipoprotein, ou colesterol bom) é denso e pequeno, e se forma no sangue. Ele recebe o colesterol eliminado pelas células e o carrega de volta para o fígado, para ser excretado. Ele circula no sangue por aproximadamente cinco dias, coletando e distribuindo o colesterol entre as glândulas, adipócitos, o fígado e o intestino.

O fígado excreta o colesterol em excesso através da bile. No intestino, as bactérias modificam parte do colesterol para evitar sua reabsorção e fazer com que ele seja eliminado nas fezes. Porém, 90 a 95% dele são reabsorvidos e utilizados para produzir os Quilomicrons.

Na corrente sanguínea, à medida que entregam seu conteúdo para as células, as lipoproteínas diminuem de tamanho. Elas distribuem os triglicérides e os fosfolípides, terminando como uma partícula rica em colesterol, o LDL.

Uma das funções do LDL é levar o colesterol remanescente de volta para o fígado. Porém, nesse caminho, algumas partículas de LDL podem penetrar na parede das artérias e depositar erroneamente seu conteúdo.

Uma grande diferença entre as lipoproteínas é sua meia vida (tempo que ficam circulando no plasma). Os quilomícrons desaparecem em minutos, o VLDL e o IDL em 1 ou 2 horas e o LDL dura mais de 24 horas. A eliminação das lipoproteínas é feita pelo fígado, em receptores específicos.

Isso é um ponto importante no entendimento da aterosclerose e de quem é o verdadeiro vilão da história

A maioria das lipoproteínas circulantes, contendo colesterol e capazes de depositá-lo na parede dos vasos, é composta por LDL. Quanto mais partículas de LDL circulantes, maior o risco de aterosclerose e doenças cardiovasculares.

Medidas do colesterol e triglicérides

Quando um médico solicita a medida do colesterol total e frações, como são os resultados enviados pelo laboratório?

  • Colesterol total
  • Colesterol HDL
  • Colesterol LDL
  • Colesterol não HDL
  • Triglicérides

Nos exames de rotina, o colesterol total e o HDL são medidos diretamente. O colesterol LDL, que representa o principal problema em relação à aterosclerose, é calculado por meio de uma fórmula matemática.

O problema é que, em alguns pacientes, especialmente aqueles com elevação dos triglicérides (acima de 400mg/dl), esse cálculo gera valores de colesterol LDL abaixo dos reais e o risco cardiovascular pode parecer falsamente baixo.

Nesses pacientes, o cálculo do colesterol não HDL se correlaciona melhor com a quantidade de partículas de LDL circulantes e fornecem uma idéia melhor do risco.

Quanto aos triglicérides, o valor máximo recomendado é 150mg/dl. Porém, alguns especialistas sugerem que esse limite deveria ser 80mg/dl.

Valores de referência em crianças e adolescentes (em mg/dl):

Lípides DESEJÁVEIS LIMÍTROFES AUMENTADOS
Colesterol total <150 150-169 >170
Colesterol LDL <100 100-129 >130
Colesterol HDL >45 40-45
Colesterol não HDL <120 120-144 >145
Triglicérides <100 100-129 >130

Valores de referência em adultos (acima de 20 anos de idade):

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em sua última diretriz de dislipidemias, modificou os valores de referência para os lipídios em adultos.

Colesterol HDL>40>40Desejável

Lípides Com jejum Sem jejum Classificação
Colesterol total <190 <190 Desejável
Triglicérides <150 <175 Desejável

Os valores de referência para o colesterol LDL e o não HDL foram substituídos pelos valores de meta terapêutica, calculados de acordo com a classificação do risco cardiovascular do paciente.

Intermediário<100<130

Meta terapêutica
(com ou sem jejum)
Risco Colesterol LDL Colesterol HDL
Baixo <130 <160
Alto <70 <100
Muito alto <50 <80

Não é mais obrigatório o jejum para realizar o exame. No caso dos triglicérides, se os valores estiverem acima de 440 mg/dl, o exame deve ser repetido com o paciente em jejum de 12 horas.

Segundo as diretrizes da SBC, não existem mais valores de referência para o VLDL colesterol.

Colesterol elevado no sangue

Fatores que aumentam o risco do excesso de colesterol no sangue (hipercolesterolemia):

  • Fatores genéticos: excesso de produção de colesterol no fígado ou falha na eliminação do LDL.
  • Dieta: excesso de açúcares na dieta aumenta o nível de triglicérides, VLDL e LDL e reduz os níveis de HDL. O consumo de gordura, na ausência de açúcar e carboidratos, não aumenta os níveis de triglicérides ou de outros marcadores de doença cardiovascular.
  • Obesidade.
  • Sedentarismo.
  • Tabagismo.
  • resistência à insulina e diabetes.

Quem deve ter o colesterol medido?

Crianças

A dislipidemia em crianças está cada dia mais frequente. Nesse grupo, a indicação é medir o colesterol anualmente a partir dos 9 anos. Porém, a triagem pode ser indicada antes se ela apresentar fatores de risco:

  • parentes de primeiro grau com história de doença cardiovascular precoce;
  • pais com colesterol elevado (maior que 240mg/dl);
  • portadores de diabetes, hipertensão e obesidade.
  • portadores de condições de risco como: doença renal crônica, síndrome nefrótica, HIV, doença de Kawasaki, pós transplante cardíaco ou renal;
  • portadores de manifestações clínicas das dislipidemias: xantomas, arco corneano, pancreatite e xantelasma.

Adultos

Nos adultos, a dosagem de colesterol é indicada a cada cinco anos, mas pode ser mais frequente se o teste inicial foi anormal ou se o paciente apresentar algum dos seguintes fatores:

  • história prévia de doença cardiovascular;
  • uso de medicamentos para redução do colesterol;
  • história familiar de hipercolesterolemia ou doença cardiovascular;
  • obesidade;
  • sedentarismo;
  • diabetes;
  • tabagismo;

O exame passa a ser anual após os 45 anos no homem, e 55 na mulher.

Tratamento da hipercolesterolemia

As medidas para reduzir o colesterol passam inicialmente por mudanças no estilo de vida: dieta saudável, exercícios, atingir o peso ideal, interromper o tabagismo e administrar o estresse.

O tratamento medicamentoso é indicado de acordo com os níveis dos lipídios no sangue e com o risco cardiovascular determinado pelo especialista com base nas diretrizes.

O objetivo do tratamento é reduzir o LDL colesterol até os níveis determinados para o grupo de risco específico em que o paciente se enquadra.

Categoria Meta de redução do LDL colesterol (mg/dl)
Muito alto risco <50
Alto risco <70
Risco intermediário <100
Baixo risco <130

Os medicamentos disponíveis são:

  • estatinas (ex: atorvastatina, rosuvastatina, sinvastatina etc);
  • sequestradores de ácidos biliares (colestiramina, colestipol);
  • inibidores da absorção de colesterol (ezetimiba);
  • inibidores da PCSK9.

A elevação crônica do colesterol e sua principal conseqüência, a aterosclerose, são ambos silenciosos.

Faça check ups regulares e cultive um estilo de vida saudável!

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