Bebê chorando no colo da mãe visto de cima

Dra. Juliana Campos

A cólica em bebês, principalmente os recém-nascidos, geralmente iniciam-se na segunda semana de vida e estendem-se até o terceiro a quarto mês de idade.

É caracterizada por um choro repentino, inconsolável, que não está ligado a fome, fraldas sujas ou sono. Geralmente, inicia-se ao entardecer, podendo prosseguir até o meio da madrugada. O bebê faz caretas, movimenta as perninhas e cerra o punho com faces de dor e desconforto.

A fase das cólicas pode ser muito estressante para o bebê e para os pais, que se sentem confusos, impotentes e cansados.

Como identificar a cólica em bebês?

A cólica ocorre quando um bebê saudável chora por muito tempo sem motivo específico. Costuma aparecer nos primeiros 3 a 4 meses de vida. É caracterizada por um choro repentino que permanece constante por mais de três horas por dia, sendo muito estressante e difícil para os pais.

Principais causas

Não existem causas definidas para a cólica do recém-nascido, e ela pode se manifestar em diferentes graus. Acredita-se, então, que ela seja multifatorial.

Quando o bebê nasce, seus sistemas ainda não estão completamente formados. É justamente neste período de adaptação que eles sofrem com as cólicas.

Os gânglios nervosos (estruturas que levam o impulso do cérebro para o intestino para que ele se movimente) ainda estão migrando para seus devidos lugares e isso gera ondas de peristaltismo (movimentação do intestino) erráticas. Esse peristaltismo pode estar envolvido com a cólica em bebês e pode ajudar a produzir gases, que pioram o quadro.

Além disso, a flora intestinal também está em formação. Alguns estudos relacionam o tipo de bactérias e vírus que habita nossos intestinos com as cólicas. Para o desespero dos pais, o bebê nesta fase ainda não tem a capacidade de lidar com o desconforto gerado pelas cólicas. Afinal, seu cérebro ainda é imaturo, o que o impede de se acalmar e se controlar. Por isso, pode parecer que todas as medidas que tomamos para seu controle são ineficazes.

Fatores de risco

  • Tensão familiar.
  • Ansiedade e desamparo materno.
  • Ambiente conturbado.
  • Gases (engolidos durante a amamentação ou durante o choro).
  • Refluxo.
  • Alergia a algum alimento.
  • Alergia à proteína do leite.

Sintomas

  • Choro prolongado (pode durar por horas) em que os pais têm dificuldade de controlá-lo;
  • O choro não é ligado à fome ou desconforto;
  • Punhos fechados e face vermelha, caretas;
  • Choro mais alto;
  • Pernas mais próximas da barriga.

Complicações

As cólicas do recém-nascido podem ser frustrantes e estressantes para os pais, gerando insegurança materna (sensação de incapacidade) e tensão no lar. O cansaço, já típico deste período, pode ser potencializado, inclusive sendo fator de risco para depressão pós – parto.

O sono, tanto do bebê quanto dos pais, fica prejudicado, o que pode piorar o quadro. Os pais, em uma tentativa de melhorar as cólicas e pela sensação de frustração, podem ser levados a tomar decisões não tão saudáveis para o seu bebê, como o uso excessivo de medicamentos, por exemplo.

A mãe ainda pode ter a impressão errônea de que seu leite não sustenta a criança e acabar introduzindo fórmulas alimentares que podem gerar o início do desmame e até mesmo piorar o quadro.

Diagnóstico

O médico irá perguntar o histórico de saúde do bebê e fará um exame físico. Depois, fará perguntas sobre o choro da criança como: duração, se algo desperta o choro e os métodos utilizados para acalmar o bebê.

Tratamento

Não existe tratamento de cura para cólica em bebês. Como já dissemos, este é um período de adaptação e amadurecimento do intestino deles, que pode ser difícil, porém, passa mesmo sem nossa intervenção.

O leite materno é certamente o fator de proteção mais eficaz, uma vez que o mesmo possui substâncias probióticas e prebióticas que ajudam na formação de uma flora intestinal saudável. Além disso, o pediatra pode indicar o uso de algum outro probiótico para auxiliar na formação desta flora.

Existem, ainda, algumas medidas que podem gerar um maior conforto ou auxiliar a melhorar parte dos sintomas. São algumas delas:

  • Manter um ambiente calmo, sem muitos estímulos.
  • Controlar a ansiedade materna (e a depressão pós-parto).
  • Ter uma rede de auxílio para a mãe (para que ela possa se recuperar e descansar um pouco).
  • Acalentar o bebê e atender sua necessidade de colo e conforto.
  • Tendo em mente que o choro pode perdurar por horas, apesar destas medidas. Massagear a barriguinha dele.
  • Fazer bicicleta com as perninhas.
  • Usar sling.
  • Dar banho de imersão com água morna.

O uso de colutórios como simeticona, por exemplo, está indicado apenas quando os gases estão presentes e deve ser evitado de forma sistemática. O uso de analgesicos pode mascarar doenças que produzem febre e que, nesta idade, são potencialmente graves. Além disso:

  • Se o bebê se alimenta pela mamadeira, uma boa opção é fazer com que ele mame em posição mais ereta.
  • Faça com que o bebê arrote.
  • Estude e entenda seus tipos de choro.
  • Não force a alimentação.
  • Mude a posição em que o bebê está deitado.
  • Converse/nine o bebê.
  • Ande com o bebê.
  • Dê uma volta com ele.
  • Abrace e nine a criança.

Prevenção

Fique atenta se o bebê está sempre na mesma posição, ou se está engolindo muito ar devido a alguma posição de amamentação inadequada.
Dê atenção adequada ao bebê e tente acalmá-lo da melhor forma possível.

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