Perfil de rosto de cachorro com idade avançada de pelo preto

Dra. Adriana Bonfioli

Algumas mudanças de comportamento de um cão em idade avançada podem ser entendidas como um processo natural de envelhecimento. Porém, problemas como a perda de memória, confusão e agressividade, podem, na verdade, indicar algo mais grave: a demência.

A demência em cães é, sobretudo, o resultado de toxicidade e injúria ao cérebro, dano oxidativo e inflamação crônica.

O que é demência?

A demência é definida como uma doença mental que causa a perda das habilidades cognitivas, como o aprendizado e a memória. Sendo uma doença, ela não faz parte, naturalmente, do processo de envelhecimento.

Nos seres humanos, ela é diagnosticada em todo o mundo, sendo que um novo caso é descoberto a cada 3 segundos. O tipo mais comum de demência em humanos é conhecido como doença de Alzheimer.

O que causa a demência nos cães?

Nossos cachorros também podem desenvolver demência. A doença neles é chamada de Disfunção Cognitiva Canina (DCC). Assim como nos humanos, não é possível afirmar exatamente como ou por que a demência se desenvolve nos cães.

Ainda assim, a inflamação crônica se apresenta como uma das principais causas de danos ao cérebro, que possibilitam o desenvolvimento da doença. E são vários os motivos possíveis para esse quadro. Os principais são:

Medicações

Preparações produzidas pela indústria farmacêutica podem causar o esgotamento de nutrientes que são vitais para que o sistema imunológico inato do animal continue funcionando. Além disso, os medicamentos podem conter alumínio.

Segundo um estudo publicado em 2017, pelo autor Christopher Exley, há uma preocupante ligação entre pacientes humanos com Alzheimer e a quantidade de alumínio em seus cérebros, o que pode ser uma das causas de inflamação.

O alumínio, após entrar no organismo, concentra-se no hipocampo, que é a parte do cérebro responsável por formar, organizar e armazenar memórias. É uma estrutura do sistema límbico especialmente importante na conexão de emoções e sentidos, como cheiros e sons, com as memórias. Portanto, o alumínio pode afetar o hipocampo e suas funções.

Vacinas

As vacinas podem causar inflamação crônica porque desregulam o sistema imunológico. Ele se torna hiperreativo e tende a produzir um excesso de anticorpos, produzindo um estado inflamatório.

Danos e traumas causados ao cérebro por pequenos sangramentos ou embolia podem acontecer após a vacinação. Essas lesões iniciam uma resposta pró-inflamatória que pode, no futuro, causar uma doença autoimune. O sangue é tóxico para os neurônios, causando a morte dessas células.

Para evitar esses problemas, é importante evitar o excesso de vacinas.

Alimentação

Alimentos processados, amidos, carboidratos e açúcares são precursores da neuroinflamação. Uma dieta pobre em nutrientes, probióticos e enzimas não promove a saúde.

Além disso, uma alimentação baseada em comidas processadas pode ser rica em:

  • metais pesados;
  • organismos geneticamente modificados;
  • pesticidas;
  • glifosato.

Esses elementos desregulam o metabolismo e podem, inclusive, ser letais.

De nada adianta enriquecer este tipo de alimento com vitaminas e minerais sintéticos se eles promovem a inflamação tanto quanto, ou mais que o uso das drogas farmacêuticas.

Estresse

O cortisol, um hormônio produzido por causa do estresse, tende a se armazenar no hipocampo, que é a região do cérebro em que há a maior quantidade de receptores do hormônio.

O resultado dessa interação é a deficiência de memória, cognição e, consequentemente, a demência. Para impedir esses danos, é essencial tratar o estresse. Exercícios e meditação são algumas das principais maneiras de cuidar do problema.

E como seu cão irá se beneficiar de seu tempo meditando? Animais domésticos possuem a mesma energia emocional de seus donos. Ou seja, lidando com seus problemas emocionais, você também está ajudando o seu animal.

Toxinas ambientais

Por fim, toxinas como metais pesados, que podem ser encontrados na água e em alimentos, alteram o metabolismo e causam complicações como asma, alergias diversas e todo o tipo de inflamação.

Uma vez que a inflamação é gerada, ela não se limita ao cérebro, mas se espalha pela pele e pelo intestino, que se torna permeável. Uma cadeia de reações é iniciada pelo organismo e a condição inflamatória se torna cada vez pior.

Outras toxinas que causam os mesmos efeitos no organismo são o mofo e os disruptores endócrinos (estes presentes em plásticos, produtos de limpeza e de cuidado pessoal).

Como prevenir a doença?

É inegável que todos esses fatores inflamatórios são problemáticos e impõem um risco significante à saúde de nossos animais de estimação. Vejamos então quais medidas podem ajudar a tratar essa situação:

  • buscar um veterinário que use métodos para a desintoxicação de metais pesados;
  • comprar alimentos orgânicos certificados que sejam livres de glifosato;
  • suplementação alimentar com cúrcuma, vitamina D3, L-carnitina, ginseng e outros suplementos;
  • uma boa fonte de ácido docosahexaenóico (DHA) para nutrir o cérebro.

Todas essas medidas ajudarão a desintoxicar o organismo de seu cão, evitando inflamações e outras complicações como a demência. É importante também se exercitar e passear com seu animal, além de lhe oferecer um ambiente saudável, livre de toxinas e situações estressantes. Lembre-se: ao buscar o bem-estar de seu animal, você também trata da sua própria saúde.

Texto adaptado de dogsnaturally.com (Autora: Patricia Jordan, DVM)

Gostou do texto? Leia a nossa matéria “Demência em cães: sinais, diagnóstico e tratamentos” para mais informações sobre o mesmo assunto.

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