Cachorro molhado saindo da água para representar a dirfilariose

Dr. Marthin Lempek

A dirofilariose é uma antropozoonose, ou seja, é uma doença de animais que pode ser transmitida aos humanos. É causada pelo verme Dirofilaria Immitis, da mesma classe das lombrigas. Ele se aloja no lado direito do coração, podendo levar o animal à morte.

Principais causas

A transmissão parte de um pet infectado pelo verme. As fêmeas adultas, alojadas no coração, botam larvas, chamadas microfilárias, que vivem na corrente sanguínea. Elas entram no mosquito que pica o animal – são cerca de 60 espécies diferentes de insetos que podem transmitir a microfilária.

Em no máximo 2 ou 3 semanas, a larva cresce e migra para a boca do mosquito, que ao picar outro animal, transporta a microfilária. Uma vez na corrente sanguínea da nova vítima, a larva leva cerca de 3 meses para migrar até o seu coração, onde chega à idade adulta, em que pode medir até 35 centímetros. Elas podem chegar a centenas no corpo de um cão.

Fatores de risco

Animais que habitam litorais e regiões quentes e úmidas.

Sinais

  • Tosse;
  • perda de apetite;
  • perda de peso;
  • retenção de líquido no abdômen.

Algumas complicações

A permanência do verme no coração pode levar o animal à insuficiência cardíaca, causando diversos problemas vasculares e até a morte.

Diagnóstico

Para o diagnóstico da dirofilariose podem ser realizados exames como:

  • Raio X torácico;
  • ecocardiograma;
  • teste de antígenos: pode identificar a presença antígenos no sangue. Antígeno é o nome dado a qualquer substância que, uma vez introduzida no organismo faz com que o sistema produza anticorpos para combatê-lo. O ELISA é um popular teste de antígenos.

Dirofilariose tem cura?

Os pacientes portadores de dirofilariose são divididos nos seguintes grupos:

  • Grupo I: menor risco; formado por animais jovens, com poucos sinais; cães jovens, aparentemente saudáveis, com poucas alterações clínicas e radiográficas, e parâmetros sanguíneos normais.
  • Grupo II: já apresentam tosse.
  • Grupo III: trazem sinais como tosse, perda de peso, lesões vasculares, problemas respiratórios, renais e hepáticos.
  • Grupo IV: com síndrome da veia cava superior, que consiste no bloqueio parcial da veia cava superior, responsável por transportar o sangue da cabeça, pescoço, peito e braços ao coração. Os pacientes deste grupos também apresentam hemoglobinúria (presença de hemoglobina na urina) e podem sofrer insuficiência cardíaca súbita.

O tratamento da dirofilariose pode exigir várias sessões e durar até um ano. Para o controle dos sintomas são receitados corticoides, reposição de eletrólitos, oxigenioterapia e broncodilatadores.

A intervenção cirúrgica é necessária em pacientes que desenvolveram a síndrome da veia cava superior.
Para eliminar os vermes adultos, são aplicadas injeções de melarsomina (tripanocida). OS vermes adultos mortos podem bloquear vasos sanguíneos dos pulmões, provocando embolia pulmonar.

Contra as larvas, são administradas lactonas macrocíclica: endectocidas, medicamentos que atuam contra ectoparasitas e endoparasitas.

Prevenção

Não existe uma vacina específica para evitar a dirofilariose.

Vermifugar o animal e manter a vacinação em dia é a melhor forma de tentar se livrar do risco. Manter o ambiente livre de mosquitos e usar coleiras repelentes são procedimentos indicados.

Medicamentos preventivos disponíveis no mercado não eliminam os vermes adultos e só podem ser administrados em animais com mais de 6 semanas de idade.

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