Cachorro em bancada de veterinário sendo amparado pelo médico

Dr. Marthin Lempek

As doenças cardíacas, cardiopatias em animais ou, em outras palavras, doenças do coração, também são muito comuns em cães e gatos. E o pior: além de diversos tipos, têm várias causas e diferentes sinais. Por isso, o melhor a se fazer é observar bem o comportamento do seu animal, realizar check-ups veterinários periódicos e manter uma rotina de vida saudável.

Entenda um pouco mais sobre o assunto:

As cardiopatias em animais incluem, principalmente:

  • Endocardiose ou ‘Doença Valvar Degenerativa Crônica’: responde por 90% dos atendimentos entre os pacientes com doença do coração no Hospital Veterinário Santo Agostinho. São mais constante em cães, principalmente os de pequeno porte. Geralmente se manifesta na idade entre 8 e 10 anos. Caracteriza-se pela incapacidade da valva mitral em levar o sangue vindo do átrio para a artéria aorta, provocando uma regurgitação, o recuo do sangue para o átrio;
  • cardiomiopatia dilatada: frequente entre as raças caninas de grande porte. Afeta os músculos do coração, tornando os tecidos cardíacos espessos e as paredes flácidas, o que compromete a contração e o bombeamento do órgão;
  • cardiomiopatia hipertrófica: maior índice de doenças cardíacas entre os felinos. Consiste na rigidez da musculatura da parte esquerda do coração, prejudicando a dilatação necessária para cada movimento.

Sinais de cardiopatia em cães e gatos:

Os sinais das cardiopatias são extremamente simples. Portanto, é fundamental observar mudanças na disposição do seu animal e, independente de vestígios, consultar regularmente o veterinário.

Fique de olho caso seu animal tenha alguns indícios como, por exemplo:

  • tosse, principalmente noturna, seca e alta;
  • cianose (língua roxa);
  • barriga d’água (inchaço abdominal);
  • cansaço;
  • desmaios;
  • arritmia: uma sequência intensa pode levar ao desmaio ou até à morte súbita.

Causas:

As doenças do coração podem ser congênitas ou adquiridas. Saiba a diferença:

Congênitas:

Desenvolvidas durante a gestação ou logo após o nascimento, geralmente devido a predisposição genética das raças.

Podem ser diagnosticadas logo nos primeiros 6 meses de vida. Por isso, a importância do check up realizado logo ao adotar o animalzinho é tão importante. Nela, serão observados alguns fatores como, por exemplo:

  • Persistência do ducto arterioso: o portador dessa doença dificilmente passa de 3 anos de idade. O ducto arterioso é um vaso que, durante a idade fetal, desvia o sangue da artéria pulmonar para a artéria aorta. A anomalia acontece quando, ao nascer, o ducto não se fecha. Permanecendo aberto, há desvio de sangue, alterações na pressão sanguínea e sobrecarga atrioventricular;
  • Persistência do arco aórtico: má formação dos anéis valvulares, acarretando compressão do esôfago, o que causa regurgitação pós prandial (após refeição) em filhotes no período de desmame. A longo prazo leva a problemas de nutrição e até pulmonares;
  • Tetraplegia de fallot: combinação de quatro deficiências – defeito do septo ventricular, estenose (estreitamento) pulmonar, deslocamento da aorta e hipertrofia do ventrículo direito secundário. Prejudica o crescimento do animal, conduzindo a problemas como sopro, hipoxemia (insuficiência de oxigênio no sangue) e policitemia (viscosidade no sangue, causado pelo número excessivo de hemácias).

Em casos específicos, essas doenças podem ser corrigidas com intervenção cirúrgica, desde que diagnosticadas precocemente. Uma vez confirmada a anomalia, a cirurgia pode ser realizada em um prazo de 6 meses a 1 ano.

Adquiridas:

Desenvolvidas durante o crescimento do animal. Entre elas estão endocardiose, cardiomiopatia dilatada e cardiomiopatia hipertrófica. As cardiopatias adquiridas são multifatoriais, isso é, podem ser causadas por agentes variados. As principais causas são:

  • miocardites: inflamação no coração;
  • infecções no coração;
  • hipotireoidismo ou outras deficiências hormonais;
  • deficiências nutricionais;
  • predisposição genética: mesmo as cardiopatias em animais não congênitas têm entre seus causadores o fator genético.

Raças com predisposição a desenvolverem doenças do coração:

Endocardiose – atinge principalmente cães de pequeno porte como, por exemplo:

Cardiopatia dilatada: mais frequente em animais grandes:

  • São Bernardo;
  • Doberman;
  • Pastores Ingleses;
  • Boxer.

Cardiopatia hipetrófica: recorrente em gatos de raça pura como, por exemplo:

  • Siamês;
  • Persa;
  • Ragdoll.

Complicações das doenças do coração:

As doenças do coração são silenciosas e podem levar a quadros que debilitam progressivamente a saúde do animal como, por exemplo:

  • Insuficiência cardíaca congestiva: distúrbios na pressão arterial sistólica (bombeamento máximo do sangue) e diastólica (relaxamento do órgãos para fluxo do sangue). A insuficiência do lado direito do coração incide sobre acúmulo de sangue no abdômen, enquanto a insuficiência que acomete o lado esquerdo gera retenção de sangue no pulmão. Provoca congestão, edema, regurgitação e outros problemas;
  • hipertensão arterial sistêmica: aumento significativo na pressão arterial. Pode lesionar vasos sanguíneos de todos os órgãos, provocando hemorragias e deficiência de oxigênio e nutrientes em vários órgãos do corpo.
  • tromboembolismo: a queda no fluxo sanguíneo leva a formação de coágulos, que viajam pela corrente sanguínea até bloquearem algum vaso do corpo.

O que fazer em caso de emergência?

Se seu animalzinho desmaiar, ou apresentar crises associadas a cardiopatias, jamais tente socorrê-lo em casa. É expressamente recomendado que ele seja encaminhado a um serviço de emergência veterinária. Chegando a um hospital, as primeiras medidas são, principalmente:

  • oxigênoterapia;
  • infusão contínua de medicamento na veia: normalmente furosemida, que combate o edema pulmonar e insuficiência cardíaca.

Como é o setor de cardiologia de um Hospital Veterinário?

Uma estrutura completa para atender um paciente com doenças do coração conta com:

  • doppler: avalia a circulação dos vasos e o fluxo de sangue através de ondas de som refletidas;
  • PAI: Pressão Arterial Invasiva. Método no qual é introduzido na artéria um cateter, conectado em uma coluna líquida e a um transdutor que mede a pressão;
  • electrocardiograma computadorizado: conexão de eletrodos em partes específicas do corpo para registro da atividade elétrica do coração;
  • holter: nesse procedimento, eletrodos são instalados no corpo do animal, que, de casa, tem seus batimentos e pressão monitorados em um aparelho do hospital, por um período de 24 a 48 horas;
  • ecodopplercardiograma: ultrassom que apresenta imagens do músculo, das valvas cardíacas e mostra o fluxo sanguíneo;
  • duplex scan: outro exame derivado da ultrassonografia, ideal para avaliar as artérias carótidas e fluxo carotídeo;
  • ultrassom torácico extracardíaco: 4 vezes mais sensível que a radiografia, a ultrassonografia torácica tem se tornado um importante método para avaliação de problemas no pulmão, pleura, mediastino, diafragma e parede torácica.

Tratamento para as doenças do coração

O tratamento das cardiopatias em animais objetiva dar sobrevida com qualidade ao paciente. Visa controlar a insuficiência cardíaca e seus sinais.

O diagnóstico precoce merece nova menção pois possibilita ao animal um tratamento que garanta bons anos de boa saúde, sem maiores sequelas ou sustos.

O tratamento conservador mais adotado em doenças cardíacas envolve medicação oral administrada em casa pelos próprios donos, com prescrição de fármacos como, por exemplo:

  • inibidores da enzima conversora de angiotensina: ajudam a diminuir a pressão arterial;
  • diuréticos: atuam como redutor de edema e também diminui a pressão arterial;
  • medicamentos que aumentam a contração cardíaca.

Em quadros moderados, é realizada bateria de exames a cada 6 meses; em casos mais graves, a cada 3 meses. O check-up inclui:

  • mensuração da pressão;
  • eletrocardiograma;
  • raio x de tórax;
  • ecodopplercardiograma.

Prevenção

Um dia a dia saudável pode evitar as cardiopatias em animais! Procure oferecer a ele, principalmente:

  • alimentação equilibrada: consulte o veterinário sobre a dieta ideal para a raça, idade e condições do seu pet;
  • ambiente confortável, higienizado e de área condizente com o porte dele;
  • rotina de lazer: passear e brincar com seu pet. Se você tiver um gato que não sai de casa, que tal propiciar um espaço com brinquedos, andaimes e peças em que ele possa se divertir?

Além disso, o acompanhamento do veterinário é essencial. Como dissemos no início do texto, doenças cardíacas têm diversas causas e sinais sutis. Cada raça, espécie e tipo de pet tem suas especificidades em relação ao coração. Por isso, o checkup cardíaco, no mínimo anual, é importantíssimo para o bem-estar do seu companheiro.

Nutracêuticos

Atualmente, alguns veterinários têm alcançado bons resultados na prevenção de cardiopatias em animais com o uso de nutracêuticos, compostos que podem servir como suplemento e nutricionais e como prevenção à doenças cardíacas. Entre os nutracêuticos mais indicados, estão:

  • ômega 3: reduz de taxas de triglicerídeos no sangue, combate o acúmulo de placas em artérias e reduz a pressão arterial;
  • coenzima q10 e ubiquinol: atuam na mitocôndria cardíaca, melhorando a respiração cardíaca e oxigenação tecidual; importantes também para as válvulas, com função antioxidante e anti- inflamatória, retardando o aparecimento das doenças valvares.

Doenças do coração podem gerar problemas constantes na qualidade de vida do seu amigo. Então, fique atento a saúde cardíaca dele! Realize check ups com o veterinário frequentemente. E não se esqueça de que: cuidado, amor e alegria fazem o coração bater mais forte!

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