Pais e filha se exercitando por conta da medicina do estilo de vida

Dra. Denise Brasileiro

Não é novidade para ninguém que, em uma lista de objetivos relacionados à saúde e bem-estar, o aperfeiçoamento dos hábitos alimentares e do condicionamento físico estão em destaque. No entanto, quando foi a última vez que essas questões foram trabalhadas/planejadas durante uma consulta médica?

Bem, é isso que a medicina do estilo de vida (lifestyle medicine) defende. Ela nada mais é que uma especialidade médica inspirada em evidências, que direciona sua atenção para prevenir doenças ocasionadas por condutas e escolhas de vida não-saudáveis que tomamos no dia-a-dia.

E como a medicina do estilo de vida funciona

Seus métodos orientam o paciente a fazer mudanças, baseadas em seu comportamento e hábitos, para melhorar sua saúde, gerenciar ou eliminar condições crônicas, reduzir a necessidade de medicamentos e alcançar o bem-estar pleno.

Em outras palavras, além de aconselhar a pessoa a comer bem, exercitar-se mais ou dormir melhor, a medicina do estilo de vida foca no conhecimento. Ela educa o paciente para que este entenda os princípios básicos da saúde e, mais tarde, esteja capacitado a fazer alterações específicas que podem levá-lo ao bem-estar pleno.

Resumindo, esse método envolve o uso de abordagens terapêuticas que incluem dietas específicas, escolha de atividades físicas próprias para o paciente, técnicas para melhorar o sono e gerenciar o estresse, e por aí vai.

Continue comigo para entender mais sobre a medicina do estilo de vida, e como ela pode ajudar o seu pequeno!

Para quem ela é recomendada?

Essa especialidade tem como foco tratar pacientes com condições crônicas comuns à saúde. São alguns exemplos:

No entanto, isso não quer dizer que pessoas típicas, que queiram apenas melhorar e manter a saúde plena, não possam adotar essa especialidade em seus cuidados de rotina médica.

O que você precisa saber sobre a medicina do estilo de vida?

Pare e pense no seguinte fato: você concorda que todas as doenças com as quais nós mais nos preocupamos, como diabetes, colesterol alto, problemas no coração etc, estão diretamente relacionadas ao nosso estilo de vida? Afinal, o uso de tabaco e bebidas alcoólicas, por exemplo, assim como a dieta inadequada, o sedentarismo e o estresse, são os principais contribuintes para elas.

Tendo isso em mente, a medicina do estilo de vida estabeleceu 4 pilares fundamentais que devemos nos atentar. São eles:

  • alimentação saudável;
  • exercícios físicos e movimento;
  • administração do sono;
  • controle de estresse e aumento do bem estar.

Vamos aprofundar um pouco mais sobre cada um deles, e entender como a medicina do estilo de vida funciona?

Alimentação saudável

Não existe uma “receita mágica” e “simples” para estabelecer uma alimentação saudável. Afinal, existem vários fatores que precisam ser considerados.

É aquele velho esquema: não é porque alimentos integrais são bons que, basicamente, devam ser comidos por todas as crianças. É preciso analisar cada paciente separadamente e montar um plano que condiga com sua realidade.

Além disso, atualmente, existem diversos estudos que comprovam que os padrões alimentares têm fortes influências no tratamento, prevenção e reversão de doenças. Inclusive, psiquiatras que estudam a área da nutrição citam o eixo “intestino-cérebro” como essencial para gerenciar a ansiedade e depressão nas pessoas.

Ou seja: a alimentação é capaz não só de melhorar a saúde de uma pessoa, e prover a ela mais disposição e imunidade. Ela também influencia em seu humor.

E como a medicina do estilo de vida é aplicada aqui?

Encontrar maneiras de desfrutar as refeições e lanches saudáveis, por exemplo, é uma das opções que o profissional da medicina do estilo de vida tentará para aprimorar o tratamento do paciente. Isso inclui reduzir a quantidade das porções, diminuir o consumo de alimentos industrializados e aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras.

Serão desenvolvidos planos que incluam novas receitas e hábitos culinários, assim como técnicas para se trabalhar durante as refeições, como a “mindful eating”, por exemplo.

Tudo isso, é claro, baseado no histórico do paciente, e de sua família também (levando-se em conta, inclusive, os hábitos diários dos pais no quesito da nutrição, assim como outros). Lembre-se: alimentação e parentalidade são indissociáveis.

Atividade física

Você já deve saber, ou ao menos desconfiar, que a prática de exercícios físicos regulares pode reduzir o risco de doenças cardíacas, derrame, diabetes, alguns tipos de câncer e até mesmo proteger a memória e as habilidades de pensamento.

Em outras palavras, exercitar-se diariamente pode, ao mesmo tempo, diminuir a pressão arterial e ajudar a prevenir problemas psicológicos como a depressão, por exemplo.

E como a medicina do estilo de vida é aplicada aqui?

O profissional, junto aos pais do pequeno, desenvolverá um plano de atividades físicas que tome, pelo menos, 150 minutos por semana da criança (o que equivale a, aproximadamente, meia hora por dia). Aqui, serão usados exercícios aeróbicos, como andar de bicicleta, caminhar, praticar algum esporte etc).

Além disso, dependendo da idade do paciente, podem ser implementados treinamentos de força (como a musculação, por exemplo) por, pelo menos, 2 vezes por semana.

Administração do sono

Dormir mal leva à irritabilidade, problemas de memória, depressão e até mesmo atraso de desenvolvimento. Afinal, nosso corpo precisa descansar.

E como a medicina do estilo de vida é aplicada aqui?

O profissional, aqui, pensará em táticas condizentes com o histórico do paciente que o farão descansar melhor. Tudo isso levando em conta a quantidade de sono que cada faixa etária precisa por dia. São algumas delas:

  • desenvolver uma rotina;
  • respeitar a quantidade de horas necessárias de sono, de acordo com a idade;
  • evitar cochilos longos durante o dia;
  • reduzir o tempo de tela antes de dormir;
  • limitar a ingestão de alimentos que contenham cafeína.

Controle de estresse e aumento da felicidade

Quando estamos estressados ​​cronicamente, produzimos mais adrenalina e cortisol, o que pode causar, inclusive:

  • irritabilidade;
  • aumento da frequência cardíaca e pressão arterial;
  • problemas de memória;
  • depressão;
  • comprometimento das relações sociais.

E como a medicina do estilo de vida é aplicada aqui?

O profissional pode propor técnicas como meditação, yoga, terapias cognitivas comportamentais, artes marciais que trabalham com disciplina e controle da raiva etc.

Para isso, algumas dicas como incentivar a expressão da gratidão e apreço pelas coisas boas, a interação com a natureza e a limitação do tempo de tela são essenciais para esse o processo de reduzir o estresse.

Além disso, é importante lembrar que a solidão é um fator de risco para mortalidade prematura. Por isso, amizades com humanos ou animais de estimação, por exemplo, podem reduzir o estresse, proteger a imunidade do pequeno.

Por fim…

É importante compreender que a medicina do estilo de vida possui uma relação direta com um dos princípios fundamentais da saúde: você é aquilo que come. Para além disso, podemos incluir que nós somos aquilo que fazemos e, claro, pensamos.

O profissional dessa especialidade entende isso e, a partir desses princípios, vai ajudar o seu pequeno a construir hábitos e conhecimentos sobre o próprio corpo que serão úteis para toda a vida.

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