Casal de homem e mulher no banheiro. Eles estão em frente ao espelho e o homem está escovando os dentes.

Dr. Francisco Gama

A saúde bucal vai muito além do belo sorriso que todos desejam. Além de serem um cartão de visitas, a boca e os dentes participam de funções importantes como a mastigação, a comunicação e a respiração.

Para viver bem e com saúde, o corpo exige cuidados cotidianos. Cáries e problemas periodontais são o resultado da ação de bactérias. Existe um número enorme de micro-organismos vivendo em nosso corpo, em especial na boca, e eles variam desde inofensivos até perigosos. Uma infecção oral pode espalhar bactérias através da corrente sanguínea para os outros órgãos como o coração, por exemplo.

A estética dentária afeta também, e muito, a autoestima das pessoas. Afinal, falar em público e conversar podem se tornar tarefas constrangedoras se os seus dentes não estiverem saudáveis.

Além disso, lesões na boca podem indicar a presença de alguma doença sistêmica, funcionando como um sinal de alerta que possibilita o diagnóstico mais precoce.

Conhecendo a cavidade bucal

Para cuidar da saúde bucal, precisamos entender aspectos da anatomia e funcionamento da boca e dos dentes. O autoconhecimento é o primeiro passo, então, para a detecção de diversos problemas.

Observando o aspecto normal da boca, as alterações podem ser relatadas ao especialista com rapidez e precisão, facilitando o diagnóstico e possibilitando o tratamento precoce.

Que tal nos olharmos no espelho mais?

Observando a região da boca, as primeiras estruturas a serem ressaltadas são os lábios superior e inferior. As comissuras labiais são os ângulos da boca, onde os lábios se encontram. Nestes locais é comum observar lesões por herpes ou fungos como a cândida (queilite angular).

O interior da boca, por sua vez, é revestido pela mucosa oral. Ela protege o órgão contra a penetração de agentes irritantes e infecciosos no corpo. Nos lábios, na gengiva, abaixo da língua e por dentro das bochechas, ela é fina. Já no palato, ou ‘céu da boca’, ela é mais fibrosa e espessa.

A gengiva é o tecido que reveste o osso alveolar onde os dentes estão inseridos. Entre a gengiva e os dentes se encontra o sulco gengival, onde muitas vezes ficam acumulados restos de comida e bactérias, levando à formação de tártaro e placa bacteriana, que podem levar à cárie ou doença periodontal.

Os ossos alveolares estão posicionados no osso maxilar (arco superior), e na mandíbula (arco inferior). Juntamente com a gengiva, protegem e dão sustentação aos dentes.

Ao abrir e fechar a boca, músculos, tendões e ligamentos dão ação à mandíbula, que se movimenta em relação ao crânio utilizando a articulação temporomandibular. A forma como seus dentes superiores e inferiores se contactam durante a mordida é chamada de oclusão.

A língua é um órgão muscular complexo e de múltiplas funções. Ela é revestida por inúmeros órgãos táteis e papilas gustativas, responsáveis pelo paladar e pelo prazer proporcionado pelos alimentos.

Por ser um órgão muscular, contribui com a deglutição (ato de engolir), fala, proteção e auto-higiene. A língua é recoberta por microvilosidades, semelhante a um campo gramado, e tende a coletar muitos restos de alimentos e a formar a saburra que é, junto com as bactérias, um dos componentes causadores da halitose.

As glândulas salivares se localizam ao redor da cavidade bucal e são responsáveis por produzir saliva. A principal função da saliva é iniciar a digestão dos carboidratos por meio da enzima amilase salivar. Além disso, participa da hidratação, limpa os dentes e age contra bactérias presentes na boca.

A falta de saliva origina a xerostomia ou boca seca, que contribui para diversas doenças, incluindo as cáries.

Os dentes

Nossa primeira dentição é formada pelos ‘dentes de leite’, que são 20, sendo 10 na arcada superior e 10 na inferior.

Os dentes começam a nascer por volta dos seis meses de idade e, já neste momento, é importante levar o bebê para uma avaliação. Ele vai conhecer o ambiente, se familiarizar com o dentista e os pais receberão todas as informações necessárias, já que os ‘dentes de leite’ são responsáveis pelo desenvolvimento da próxima dentição e também podem apresentar problemas para a saúde bucal como as cáries, por exemplo.

Os dentes permanentes surgem em torno dos seis anos de idade, iniciando pelos molares. Aos 13 anos, a criança geralmente apresenta sua dentição permanente, quase completa, faltando apenas os terceiros molares ou dentes do siso, que devem surgir por volta dos 17 anos. Seu dentista já é capaz, porém, de acompanhá-los antes disso.

A dentição completa de um adulto apresenta 32 dentes, 16 na arcada superior e 16 na inferior. Na Odontologia, cada arcada é dividida em duas metades, direita e esquerda. Partindo do centro, o primeiro e o segundo dentes são os incisivos, o terceiro é o canino, seguido por dois pré-molares e três molares.

Os dentes são compostos por polpa, dentina e esmalte. A polpa dentária é a estrutura interna do dente, rica em vasos sanguíneos e nervos. A dentina é um tecido de grande componente orgânico mineralizado que forma o corpo do dente e é recoberta pelo esmalte.

Composto por cálcio e fósforo, o esmalte dentário é considerado o tecido mais duro do corpo humano e termina na altura do sulco gengival. A porção do dente exposta acima da linha da gengiva é chamada coroa. A porção inserida dentro do osso alveolar e não visível é chamada de raiz e não possui esmalte protetor.

Cuidados com a saúde bucal

Chegar à terceira idade com todos os dentes naturais deve ser nosso primeiro objetivo ao falar de saúde bucal e depende, em grande parte, dos cuidados diários que realizamos em casa. Afinal, as bactérias causadoras das cáries estão presentes na cavidade oral e formam constantemente placas que se depositam sobre os dentes.

Essas placas utilizam restos de alimentos encontrados na boca e formam ácidos que lesam o esmalte dentário e levam à formação de orifícios (as cáries). O objetivo da higienização dos dentes e da boca, portanto, é controlar o número de bactérias, remover os restos de alimentos e as placas.

Limpeza diária em casa

A principal medida para prevenir as cáries é remover essas placas que se formam diariamente. É necessário fazer pelo menos uma higienização realmente bem feita a cada 24 horas.

Durante esta limpeza principal, deve-se passar o fio dental da forma correta, escovar cuidadosamente todos os dentes e limpar bem as gengivas, a mucosa das bochechas, do palato e a língua.

Ao longo do dia, outras escovações são recomendadas, mesmo que sejam cosméticas e até mais rápidas, para manter a limpeza e o hálito agradável.

 

“Uma limpeza principal realmente bem feita é importante para a SAÚDE e limpezas cosméticas são aconselháveis para um bom RELACIONAMENTO PESSOAL.” (Francisco Gama)

 

Existe grande variação entre os métodos empregados para a higienização da boca e dos dentes e sua orientação deve ser individual e dada pelo seu dentista. Cada paciente precisa de um tipo diferente de escova e fio dental e até mesmo a forma de utilizar os dispositivos depende de necessidades individuais. De forma geral, seguem algumas recomendações básicas:

  • A escova de dentes deve ser macia e aplicada sem muita força, pois o excesso de pressão provoca desgastes nos dentes e ainda promove a retração gengival, que deixa as raízes expostas, causa hipersensibilidade e pode resultar em danos aos dentes, gengiva e tecidos ósseos adjacentes.
  • As escovas elétricas conseguem potencializar uma boa limpeza quando usadas corretamente. Porém, é mais difícil aprender a escovar os dentes com elas do que com uma escova convencional. Deve-se limpar cada dente individualmente para que a semi-rotação da escova consiga limpar toda a sua superfície.
  • A pasta dental deve conter flúor, mas não precisa de outros componentes que provoquem abrasão. Na dúvida, escolha a mais simples disponível.
  • O fio ou fita dental deve ser indicado pelo seu dentista, que irá também ensinar a técnica para utilizá-lo. Passar fio dental de forma incorreta pode empurrar restos de alimentos e bactérias para o sulco gengival e aumentar o risco de cárie e, principalmente, doença periodontal.
  • Enxaguantes bucais não são necessários e inclusive contém substâncias antibacterianas que selecionam micro-organismos resistentes. Logo, serão especificamente prescritos pelo dentista quando seu uso for indicado.
  • Discuta cada um destes pontos com o seu dentista. Apenas ele é capaz de orientar as melhores estratégias para a sua saúde bucal.

Dieta equilibrada

Para evitar os problemas dentais, além de manter uma boa higienização, é necessário ter cuidado com a alimentação. Alimentos ricos em carboidratos nutrem as bactérias que vivem na boca. Os alimentos mais associados às cáries são:

  • alimentos doces pegajosos como mel, melado, balas de mastigar e passas, pois se aderem aos dentes por mais tempo;
  • balas e pirulitos duros que se dissolvem lentamente e prolongam a presença do açúcar na boca;
  • doces consumidos fora das refeições principais e antes de dormir, exceto se os dentes forem escovados em seguida;

Especialistas recomendam o consumo de frutas, verduras, legumes, ovos, leite e derivados. Nutrientes como cálcio, vitamina D, vitamina C, ácido fólico, ferro, zinco são essenciais para a saúde dos dentes e da gengiva.

Hidratação

Além de uma fonte de hidratação, a água ajuda a limpar a boca e os dentes e regula a produção de saliva, essencial para equilibrar o PH e evitar que os dentes estejam expostos a ação de bactérias.

Não fumar

O cigarro causa vários problemas na boca e no resto do corpo. Dentes manchados, tártaro, mau hálito, cáries, doença periodontal, câncer na boca e faringe são todos muito mais comuns em fumantes.

Medicações

Existem vários medicamentos com efeitos adversos bucais como: boca seca, aftas, manchas nos dentes, proliferação de fungos na boca, alterações do paladar, hipertrofia da gengiva, necrose óssea entre outros.

Merece destaque a xerostomia ou boca seca, comum com antidepressivos, ansiolíticos, anti-histamínicos, descongestionantes nasais e diuréticos.

Converse com seu dentista e seu médico, se apresentar algum destes sinais ou sintomas.

Avaliações periódicas

É muito importante ter um profissional que o acompanhe ao longo do tempo, conheça seu histórico e esteja sempre atento às suas necessidades. Recomenda-se que um paciente saudável, sem doenças bucais, faça avaliações semestrais. A critério do dentista, pode ser necessário um intervalo menor entre as consultas.

Profilaxia

Recomenda-se realizar pelo menos uma vez ao ano uma limpeza com o dentista, mas o ideal é que o procedimento seja semestral. Apenas o dentista consegue retirar cálculos (tártaro), placa bacteriana em pontos de difícil acesso e identificar problemas como cáries, gengivites e demais problemas periodontais.

Seu dentista é também o único profissional capacitado a avaliar a qualidade de seus cuidados diários e o estado de sua saúde bucal.

Seguindo esses passos, é possível garantir a saúde dos seus dentes e de seus filhos por muitos anos, evitando tratamentos reparadores, canais e implantes.

Mantenha uma boa higiene e alimentação, evite o cigarro, visite o seu dentista regularmente e, assim, poderá exibir um belo e saudável sorriso.

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