Cachorro brincando no quintal perto de plantas tóxicas para ele

Dr. Emanuel Araujo

Inúmeras plantas ornamentais possuem potencial tóxico para cães e gatos. Afinal, podem causar intoxicação leves ou graves.

O grau de toxicidade das plantas vai depender de alguns fatores, tais como:

  • parte do vegetal ingerida;
  • idade da planta;
  • grau de amadurecimento do fruto;
  • taxa de sensibilização do indivíduo aos compostos do vegetal ingerido;
  • quantidade ingerida.

As alterações causadas pela ingestão dessas plantas podem ser leves, como prurido (coceira) ou vômitos, ou graves, como hemorragias, glossite (edema em língua), faringite (inflamação da faringe), alterações neurológicas e até mesmo a morte.

Toda intoxicação por plantas deve ser considerada emergência. O pet deve ser levado imediatamente ao veterinário para receber o tratamento adequado.

Durante o atendimento, é muito importante saber qual o gênero da planta envolvido na intoxicação. Dessa forma, o veterinário poderá agir de forma adequada, aumentando as chances de sucesso no tratamento.

São alguns exemplos de plantas tóxicas comuns em nossas casas:

Bico de Papagaio (Euphorbia pulcherrima) e Coroa de cristo (Euphorbia milli):

Também conhecidas, respectivamente, como Poinsétia e Coroa de Cristo, são plantas que possuem um látex irritante que, em contato com a pele ou mucosas, podem causar prurido e queimaduras.

Se ingeridas, seus efeitos colaterais são:

  • edema de lábios e língua (glossite);
  • sialorréia (grande produção de saliva);
  • disfagia (dificuldade em deglutir);
  • náuseas;
  • vômitos.

Bico de Papagaio
Euphorbia pulcherrima

Coroa de Cristo
Euphorbia Milli

Dieffenbachia spp. (Comigo-ninguém-pode), Sansevieria spp (Espada de São Jorge), Monstera deliciosa (costela de adão), Philodendron (Cara de Cavalo) e Anthurium sp (Anturio):

Comigo Ninguém pode
Dieffenbachia spp. (Comigo-ninguém-pode)

Espada de São Jorge
Sansevieria spp (espada de São Jorge)

Costela de Adão
Monstera deliciosa (costela de adão)

Filodendro
Philodendron (cara de cavalo)

Anturio
Anthurium sp (Anturio)

São plantas tóxicas que são utilizadas tanto na parte interna, quanto externa da casa. Possuem como mecanismo de toxicidade os cristais de oxalato de cálcio. Estes podem causar desde dermatites por contato, até:

  • eritema (vermelhidão) e edema (inchaço) de lábios, língua, palato e faringe;
  • sialorréia (salivação);
  • disfagia (dificuldades em deglutir);
  • asfixia;
  • cólicas abdominais;
  • vômitos; diarreia;
  • morte.

Nerium oleander (Espirradeira), Kalanchoe spp (Flor-da-fortuna) e Rhododendron spp (Azálea):

Todas possuem glicosídeos neuro e cardiotóxicos como princípio tóxico. Dessa forma, sua ingestão pode atingir o sistema nervoso e cardiovascular, e causar alterações irreversíveis ao organismo.

Azaleia
Rhododendron spp. (Azaléia)

Espirradeira
Nerium oleander (Espirradeira)

Kalancoche
Kalanchoe spp. (Folha da fortuna)

Cyca Revoluta (Palmeira Sagu):

Cycas revoluta é uma planta ornamental palatável para animais domésticos, e extremamente tóxica caso seja ingerida. O glicosídeo cicasina é o seu princípio tóxico, e está presente em todas as suas partes.

É uma das plantas tóxicas mais perigosas para o trato gastrointestinal, sistema nervoso e principalmente fígado. Também possui propriedades teratogênica, mutagênica e carcinogênica.

Quando não ocorre morte, a ingestão de cyca comumente causa hepatopatia crônica.

Cyca
Cycas revoluta (palmeira-sagu)

E, por fim: como evitar os acidentes com plantas tóxicas?

Se você não quer desfazer de suas plantas, a melhor forma é reduzir o risco do contato de seus pets com elas. Além disso:

  • evite que os animais tenham acesso livre a jardins (tanto em sua casa, ruas ou praças);
  • coloque as plantas em locais mais altos, evitando assim o contato dos pets com elas (principalmente os gatos);
  • evitar colocar as plantas próximas aos bebedouros e comedouros dos pets;
  • não deixar que o pet brinque com as plantas;
  • evite usar plantas sobre as mesas.

Gostou do texto? Leia a nossa matéria “Demência em cães: sinais, diagnóstico e tratamentos” para mais informações sobre o mesmo assunto.

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