Mãe com bebê no ombro colocando para arrotar depois de comer

Dra. Kathleen Schwab

Um fato importante sobre bebês? Eles regurgitam! Então sim, é normal que, principalmente após as refeições (ainda mais na fase de aleitamento), eles apresentem retorno de um pouco daquilo que acabaram de ingerir e até alguns episódios de vômitos. Esse processo recebe o nome de refluxo gastroesofágico e, na maioria dos casos, é inofensivo.

Porém, quando esse vômito se torna frequente e, por isso, associa-se a fatores como desconforto persistente, dificuldade de alimentação ou perda de peso, o quadro pode ser mais sério. Nestes casos, ele recebe o nome de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).

Nossa proposta, hoje, é fazer com que você:

  • entenda esses dois quadros;
  • aprenda a identificá-los em seu pequeno;
  • saiba o que fazer caso qualquer um deles ocorra.

Vamos lá?

O que você precisa saber sobre o refluxo gastroesofágico?

O termo “gastroesofágico” se refere ao estômago e esôfago. Já “refluxo” significa retorno de algo. Portanto, o refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago.

Na digestão normal, o esfíncter esofágico inferior (válvula localizada entre o esôfago e o estômago) se abre para que o alimento passe para o estômago, e depois se fecha para evitar que ele, assim como o suco gástrico, retorne ao esôfago.

O refluxo gastroesofágico ocorre, então, quando essa válvula está fraca ou ineficiente, permitindo que o conteúdo do estômago reflua para o esôfago. Também ocorre quando a movimentação desse tubo digestivo está alterada, quando existe algum outro fator que possa interferir nesse trajeto do alimento até o estômago. Da mesma forma, a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) se instala quando esse processo se torna frequente e, por isso, danoso à saúde da criança.

O que causa o refluxo gastroesofágico em bebês e crianças?

Na maioria das vezes, o refluxo em bebês é provocado por um trato gastrointestinal mal coordenado. A boa notícia é: muitos pacientes que possuem esse “distúrbio” são saudáveis e se curam naturalmente.

Isso acontece porque, na maioria dos casos, esse quadro está associado ao desenvolvimento do sistema digestivo do pequeno, que ainda está imaturo. Com o tempo (em até um ano), ele progride e tudo fica bem.

Todo esse processo começa a ficar preocupante quando o bebê passa pelos sintomas do refluxo com frequência, prejudicando o seu bem-estar e, com o tempo, causando outros problemas.

Sintomas

Um refluxo gastroesofágico descomplicado (ou seja, fisiológico) provoca alguns episódios breves de regurgitação. Já os lactentes com a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) sofrem de vômitos, irritabilidade e dificuldades na alimentação.

Para saber identificar se seu pequeno está com algum desses quadros, atente-se para os seguintes sinais:

  • Bebês com refluxo gastroesofágico possuem ganho de peso normal, pouca dificuldade para mamar, nenhum sintoma respiratório ou neurocomportamental significativo.
  • Bebês com DRGE podem apresentar baixo ganho de peso, recusa alimentar, irritabilidade após as refeições, dificuldade ao engolir, vômitos frequentes, dor no peito e abdome, tosse, chiado ou rouquidão, asma, laringite recorrente, pneumonia, sinusite ou ainda inflamação do ouvido médio

Se você desconfia que a criança apresenta sintomas de DRGE, procure por orientação médica.

Diagnóstico

Normalmente, não é preciso submeter o pequeno a exames complicados para diagnosticar o refluxo, ou o DRGE. Apenas uma conversa com o pediatra, que fará uma série de perguntas sobre o bebê, já são suficientes para identificar um dos dois quadros.

Se o bebê está crescendo como esperado, parece saudável e satisfeito, algumas medidas paliativas serão tomadas e nenhum teste adicional é necessário. Porém, se os sintomas não melhorarem ou o quadro for mais grave, alguns exames podem ser solicitados.

O refluxo gastroesofágico tem cura?

A maioria dos casos de refluxo desaparece no primeiro ano do bebê e não requer tratamento. Porém, algumas medidas podem ser tomadas para amenizar a situação. São elas:

  • reduzir o volume e/ou o aumentando o intervalo das refeições, evitando a superalimentação que pode ser a causa do desconforto e dos vômitos;
  • se o pequeno toma fórmulas, procure aquelas que são anti regurgitação;
  • coloque o bebê para arrotar após cada mamada e evite as trocas de fraldas logo após as mamadas;
  • em bebês amamentados no peito, remover da alimentação da mãe fatores imunogênicos como leite de vaca, soja e ovos está indicado somente se a causa dos vômitos for a alergia alimentar;
  • colocar o bebê sempre de barriguinha para cima, principalmente na hora de dormir para reduzir o risco de síndrome da morte súbita infantil;
  • manter o pequeno na posição vertical por pelo menos 30 minutos após as mamadas;
  • elevar (cerca de 30º) a região dos trocadores e berço onde o nenê descansa a cabeça.

Além disso, quando diagnosticada a doença do refluxo gastroesofágico, o pediatra poderá prescrever medicamentos bloqueadores H2 (que reduzem o nível de acidez gástrica) e inibidores da bomba de prótons (como omeprazol, pantoprazol etc). Raramente indica-se tratamento cirúrgico.

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