Médica colocando aparelho auditivo em paciente idoso que está com quadro de surdez

Dra. Adriana Bonfioli

Com o passar dos anos, é comum aparecerem desafios ligados à saúde. Entre as doenças mais comuns relacionadas à idade estão: hipertensão arterial, artrose e surdez.

A perda auditiva pode representar um problema social e, muitas vezes, prejudica a qualidade de vida do indivíduo. A dificuldade de comunicação pode levar ao isolamento e à depressão.

Venha entender um pouco mais sobre esse assunto conosco e saber que sim, é possível lidar com ele.

Como funciona a audição?

O primeiro passo para entender a surdez é saber como a audição e o órgão responsável por ela funcionam. O ouvido é formado por:

  • meato auditivo externo: estende-se do exterior até o tímpano;
  • meato auditivo médio: contém três ossículos – o martelo, a bigorna e o estribo;
  • meato auditivo interno: formado pela cóclea, relacionada à audição, e o aparelho vestibular, é responsável pelo equilíbrio.

O canal auditivo externo é como um túnel, revestido por cartilagem, que transmite as ondas sonoras até o tímpano. A vibração da membrana timpânica é transmitida até a cóclea, provocando a movimentação de um líquido contido em seu interior. Isso leva à contração das células ciliadas (receptores sensoriais dos sistemas auditivo), que criam sinais neurais captados pelo nervo auditivo ou vestíbulo-coclear. Esses sinais caminham através do nervo até o cérebro, que os interpreta como sons.

Tipos de surdez

Existem dois tipos principais de surdez: de condução e neurossensorial.

Quando existe uma dificuldade ou interrupção da transmissão das ondas sonoras dentro do canal auditivo externo ou médio, a surdez é de condução. Os exemplos mais comuns são a perfuração do tímpano ou a calcificação dos ossículos (otosclerose).

A surdez neurossensorial, por outro lado, resulta de um defeito na cóclea, nervo auditivo e, mais raramente, nas vias centrais.

Causas

Existem diversas causas para a surdez:

  • doenças hereditárias (otosclerose;)
  • doenças metabólicas (diabetes mellitus, hipotireoidismo);
  • drogas ototóxicas (aminoglicosídeos, diuréticos de alça);
  • trauma acústico (ocupacional ou recreacional);
  • tumores (neurinoma do acústico);
  • infecções (otite média crônica supurativa, síndrome de Ramsay-Hunt);
  • alterações vasculares;
  • doenças degenerativas (presbiacusia).

Surdez relacionada à idade

A surdez relacionada ao envelhecimento é chamada de Presbiacusia. Causada principalmente por alterações no ouvido interno, ela é mais frequente após os sessenta anos de idade, geralmente bilateral e simétrica. Pode estar associada, também, a zumbidos.

Diagnóstico

O diagnóstico da surdez é feito por meio do exame clínico e da audiometria.

Nesse teste, tons de diferentes freqüências são apresentados ao paciente, que avisa quando está ouvindo-os. Assim, é possível determinar a gravidade da perda auditiva e diferenciar entre a surdez de condução e neurossensorial.

Na Presbiacusia, os pacientes têm dificuldade com os tons em alta frequência, mais agudos. Eles descrevem que são capazes de ouvir a fala das pessoas, mas não conseguem diferenciar as palavras. Isso é ainda pior em ambientes barulhentos.

Tratamento

A audição pode ser melhorada com o auxílio dos aparelhos auditivos. Eles consistem em um microfone que converte sinais acústicos em elétricos, um amplificador que processa esses sinais e um receptor que converte o sinal elétrico novamente em uma onda sonora.

Existem aparelhos auditivos de vários tipos:

  • Micro Canal (CIC): é o menor e mais invisível, e consegue atender perdas auditivas leves a moderadas.
  • Intra Canal (ITC): posicionado no canal auditivo, possui um controle de volume e é levemente visível. Atende a perdas leves, moderadas e profundas.
  • Intra Auricular (ITE): preenche a concha da orelha. Potente, ele é mais usado para perdas auditivas graves.
  • Retroauricular (BTE): aparelho mais potente e com mais recursos, atende até perdas auditivas profundas.
  • Receptor do canal (RIC): aparelhos mais modernos, são miniaturas do retroauricular. Atendem desde perdas leves a profundas.

Importância do diagnóstico de surdez

É comum o idoso que não procura ajuda por estar ouvindo mal. Porém, a surdez causa muitas dificuldades sociais e não deve ser ignorada.

O paciente que não ouve bem tende a se isolar, ficar ansioso e deprimido. Ele pode ter dificuldade para se relacionar com a família e mesmo para entender orientações médicas, o que causa prejuízos à sua saúde.

Existem várias maneiras de se ajudar uma pessoa com dificuldades auditivas. Basta ficar atento ao comportamento dos idosos para perceber as dificuldades, mesmo quando iniciais. Se você acha que um familiar pode estar perdendo a audição, procure um médico otorrinolaringologista sem demora.

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